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Curiosidade · 3 min de leitura

O primeiro bug de computador tinha asas.

Em 1947, uma mariposa travou o computador Mark II, em Harvard, e foi colada no diário de bordo como o "primeiro caso real de bug". Hoje o bug não tem asas, e quase sempre quem acha primeiro é o cliente.

Ilustração do diário de bordo do Mark II: a mariposa colada com fita e a anotação Relay #70, Panel F, (moth) in relay

Em 9 de setembro de 1947, o computador Mark II, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, começou a dar erro. Era uma máquina do tamanho de uma sala, feita de milhares de relés: peças que ligam e desligam com eletricidade.

A equipe abriu a máquina para achar o defeito e encontrou uma mariposa presa no relé número 70 do painel F. O inseto travava a peça.

Ilustração do painel do Mark II: uma grade de peças com a mariposa presa em uma delas
Cada quadrado é uma peça que liga e desliga com eletricidade.

"Primeiro caso real de bug encontrado"

Tiraram a mariposa, colaram no diário de bordo e escreveram ao lado, em inglês: "First actual case of bug being found." Em português: primeiro caso real de bug encontrado.

Ilustração da anotação no diário de bordo: a mariposa colada ao lado da frase First actual case of bug being found
A anotação de 9 de setembro de 1947, redesenhada.

A graça está no "real". Bug quer dizer inseto, e já era gíria de engenheiro para defeito: Thomas Edison usava a palavra em 1878. Em 1947, pela primeira vez, o defeito tinha asas de verdade.

Dois cartões: 1878, Thomas Edison já chamava defeitos de bugs; 1947, a mariposa vira o primeiro caso real

Grace Hopper, pioneira da programação que trabalhava no Mark II, contava essa história e ajudou a deixá-la famosa. A página do diário, com a mariposa colada, está hoje no museu Smithsonian, em Washington.

O bug de hoje não tem asas

Ninguém cola esse bug num caderno. Ele aparece em silêncio, e você só descobre quando o cliente desiste:

Lista de bugs de uma loja virtual: botão Comprar que não funciona, formulário que não envia, certificado vencido e site fora do ar
Os bugs sem asas de uma loja virtual.

No sistema, o bug costuma ser a lentidão ou o erro que ninguém corrige porque ninguém viu.

Caçar o bug antes do cliente

Manutenção é procurar esses defeitos antes que alguém tropece neles. Em site e em sistema, isso quer dizer quatro rotinas:

Lista da manutenção da FOXES: monitoramento 24 horas, backup testado, atualizações e correções mensais
A manutenção que caça o bug antes do cliente.
  • Monitoramento: um robô acessa o site o tempo todo e avisa quando algo falha.
  • Backup automático e testado, para voltar ao ar se algo quebrar.
  • Atualizações e segurança em dia, com teste antes de ir ao ar.
  • Uma revisão periódica no celular e no computador: formulários, velocidade, HTTPS, acessos e erros.

A mariposa de 1947 foi achada porque alguém abriu a máquina para procurar. O bug de hoje também só aparece para quem procura.

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